6 de mar de 2013

Viver para Deus



70 - Jesus disse: Se fizerdes nascer em vós aquele que possuis, ele vos salvará; mas, se não possuírdes em vós a este, então sereis mortos por aquele que não possuis.

É um jogo genial entre a alma que o homem possui e é, e o corpo que ele não possui nem é, mas pelo qual ele é possuído.

O nosso Eu divino, quando plenamente possuído, salva até o ego humano; auto-conhecimento transborda em auto-realização, beneficiando também o nosso corpo.

Quando o homem se deixa possuir pelo ego, sucumbe à auto-extinção; porque o ego não se pode imortalizar por si mesmo, mas só pode ser imortalizado pelo Eu.

Quem quiser salvar o seu ego, sacrificando o Eu, esse perderá tanto este como aquele; mas quem está disposto a perder o seu ego a fim de salvar o seu Eu, esse salvará os dois, que, no fundo, são um só. Na realidade, o ego é o próprio Eu em estado embrionário e primitivo; o ego é para o Eu o que a semente é para a planta. Quando a semente morre, não morre a alma, a vida da semente; morre tão-somente o invólucro estreito que impedia que a vida da semente se expandisse na largueza da planta.

O homem pode viver em três mundos: o mundo do ego ilusório; o mundo do tu social; e o mundo do Deus real. No primeiro mundo, o homem vive num sono sem sonhos; no segundo mundo, o homem vive num sono com sonhos; no terceiro mundo, o homem vive sem sono nem sonhos, em plena vigília, totalmente acordado, como Buda após a sua experiência mística, como o Cristo.

Quando alguém dorme não sabe nada de si mesmo. Quando sonha vive no mundo pseudo-real, que lhe parece vero-real; neste mundo dos sonhos, o homem é rico ou pobre, ganha a sorte grande e é feliz; é vítima de um acidente e morre – tudo isto é real para quem sonha. Mas, depois de despertar, o homem não dá importância ao que sonhou, e diz indiferente “foi apenas um sonho”; não se alegra com sua riqueza sonhada, nem se entristece com sua morte sonhada.

Quando, algum dia, despertarmos do sonho desta vida terrestre, não poderemos compreender como nos pudéssemos alegrar e entristecer com os sonhos, felizes ou infelizes, da vida terrestre. Deixaremos de ser egoístas ou altruístas, porque o pequeno eu próprio e o tu alheio foram integrados na grande Realidade divina.


+ Nada Era em Vão 

 

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