26 de mar de 2013

Vaidade


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84 - Disse Jesus: quando vedes vossa aparência, vós vos rejubilais. Mas quando virdes vossa imagem, aquela que existe antes de vós, a que não morre e nem se manifesta, quanto podereis suportar?

Quando o homem enxerga a sua alma como imagem e semelhança de Deus, será grande a sua felicidade.

 Mas, se ele tiver a intuição direta do próprio protótipo de que sua alma é um reflexo secundário, suportará ele tamanha felicidade? Paulo, num momento de arroubo místico, escreveu: “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus preparou àqueles que o amam”.

Todas as alegrias e delícias terrestres, todo o amor humano, de esposo e esposa, de pais e filhos, de amigos, não passa de vago reflexo e longínqua reminiscência daquela felicidade que a alma saboreia quando ela se integra totalmente no espírito divino do qual emanou.

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A figura de Baphomet numa Pedra angular no Convento de Cristo, Tomar

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O Unus Mundus - a união do Micro e do Macrocosmos


Autor: Frederico Eckschmidt (1)

O conceito de Unus Mundus, surgido na Idade Média, é uma variação histórica do conceito moderno do inconsciente coletivo. Concretamente falando, o unus mundus se manifesta nos fenômenos sincronísticos. É no momento que cessa a dualidade entre os eventos 'externos' e 'internos', ou seja, quando ocorre ao indivíduo a experiência de uma "multiplicidade unificada", que é produzida uma união com o inconsciente coletivo.

Como vimos anteriormente, atingir esse ponto em que a realidade externa e a realidade interna (a terra e o céu) se tornam uma só é a meta do processo de Individuação. Esse estado causa uma expansão significativa à consciência individual, juntamente com uma diminuição da intensidade do complexo do ego. Quando isso acontece, o ego retira-se em favor do inconsciente coletivo e a sabedoria deste passa a fluir através da pessoa.

Como comenta Marie-Louise von Franz: "no ponto final do desenvolvimento (o estágio final do processo de Individuação), os mestres zen estão em tal harmonia com o inconsciente coletivo que se comunicam entre si subliminarmente; eles, por assim dizer, estão juntos no unus mundus". Para ela: "este é um estágio do desenvolvimento que o homem atinge quando se aproxima da morte".

Como Jung costumava afirmar:

"A sincronicidade possui certas qualidades que podem ajudar-nos a esclarecer o problema corpo-alma. É sobretudo o fato da ordem sem causa, ou melhor, do ordenamento significativo que poderia lançar alguma luz sobre o paralelismo psicofísico. O 'conhecimento absoluto', que é característico dos fenômenos sincrônicos, conhecimento não transmitido através dos órgãos do sentido, serve de base à hipótese do significado subsistente em si mesmo, ou exprime sua existência. Esta forma só pode ser transcendental porque, como no-lo mostra o conhecimento de acontecimentos futuros ou espacialmente distantes, se situa em um espaço psiquicamente relativo e num tempo correspondente, isto é, em um contínuo espaço-tempo irrepresentável".

O conceito de "conhecimento absoluto" não está associado a nenhum processo cerebral e explica porque as coisas tendem a coincidir num mesmo momento. Jung relacionou esta forma 'ordem arquetípica' e sincrônica com o antigo conceito de Tao:

"Segundo a concepção chinesa, há uma 'racionalidade' latente em todas as coisas [grifo meu]. Essa é a idéia fundamental que se acha na base da coincidência significativa [sincronicidade], que se torna possível porque os dois lados possuem o mesmo sentido. Onde o sentido prevalece, aí resulta a ordem [grifo meu]:

"O sentido [Tao] é a simplicidade suprema sem nome.
[...] O Tao não opera,
E, no entanto, todas as coisas são feitas por ele.
Ele é impassível,
E, no entanto, sabe planejar.

Esta racionalidade latente corresponde ao que Jung chamava de unus mundus. Essa experiência de realidade unitária, de acordo com o gnóstico Komários, "é a experiência transcendental de totalidade que ocorre no mistério de ressurreição após a morte".

Posteriormente, o alquimista Gerard Dorn identificou essa "idéia de unus mundus" da Idade Média com o lapis e com o objetivo último da coniunctio alquímica.

Von Franz também conta que, um pouco antes do fim de sua vida, Jung ainda estava planejando fazer uma obra sobre os aspectos arquetípicos dos números tentando estabelecer uma relação entre eles e seu conceito de unus mundus.

Para ele, a mais primitiva manifestação da mente são os números. Isso é facilmente verificável nas grandes mitologias da China, indo até os astecas e antigos babilônios, todos os deuses tem também tempo-números. Todos os deuses estão representados em um dia do calendário. Isso estabelece uma relação entre os números e as representações arquetípicas.

A mente possui a capacidade de produzir espontaneamente movimento e atividade que inclui também faculdades inerentes de geração livre de imagens simbólicas que vão além do senso de percepção. No entanto, ela é determinada por fatores arquetípicos apriorísticos que ordena ativa e dinamicamente essas imagens, agindo sobre a psique inconsciente.

Por isso surge um problema na conscientização de uma imagem totalitária, pois ela não se encaixa nos próprios padrões criados pela consciência para percebê-lo _e por isso seu aspecto transcendente. Mas os números possuem algumas qualidades importantes que podem auxiliar neste processo, já os quatro aspectos básicos dos naturais inteiros são: "(a) relação com o espaço-tempo e a possibilidade de geometrização, (b) quantidade, (c) razão posicional, e (d) qualidade, isto é, uma específica relação gestáltica retrógrada com o um-continuum".

Dessa forma, eles apresentam uma estrutura dinâmica ou, mais precisamente, uma configuração rítmica da energia que aparece isomorficamente ligada aos domínios psíquicos e da realidade física.

A palavra grega arithmos é etimologicamente relacionada a rhythmos e ambas são derivadas de rhein, que significa fluir. Como comenta von Franz:

"Interessantemente, toda vez que números são usados como instrumentos de adivinhação, eles não possuem aquele aspecto quantitativo (uma multiplicidade de unidades) que é sua maior característica na teoria Ocidental de número, mas eles possuem um aspecto de campo que _preferivelmente, elas aparecem como_ um continuum. Eles aparecem como "pontos excitados" de um campo. Em outras palavras, é possível conceber os números naturais especificamente como centros virtuais distribuídos em um campo numérico contínuo. Isto tornaria possível a construção de um isomorfismo da microestrutura da matéria e da estrutura do inconsciente coletivo. De fato, posteriormente foi descoberto que as chamadas partículas elementares são ainda divisíveis. Por isso [...] que, fundamentalmente, só existe algo como uma flutuação contínua de um campo eletromagnético, e as partículas são [...] como pontos excitados em um-continuum.

Segundo Jung, o inconsciente coletivo também se comporta como um campo onde os 'pontos excitados' correspondem aos arquétipos. Assim, é possível estabelecer uma relação isomórfica entre o "campo" do inconsciente coletivo e os campos de números naturais.

Como possui essas características, é possível dizer que os números fariam a correspondência entre a Física e a Psicologia, já que possuem uma quantidade e uma manifestação ativa qualitativa específica do um-continuum, isto é, o unus mundus.

Idéia semelhante também apareceu na antiga escola grega de Pitágoras, onde os números representavam a ponte entre a razão humana e a razão divina, sendo eles uma linguagem de codificação dos mundos externo e interno do indivíduo.

Assim, a conhecida progressão da série de números naturais é, provavelmente, uma seqüência de típicos procedimentos que criam, dessa forma, um ritmo ordenado. Inclusive, nosso conhecimento sobre o tempo é baseado nessas estruturas numericamente rítmicas da Natureza.

Como von Franz afirma, esse movimento rítmico dos números estabelece padrões comuns à energia psicofísica, é natural que essa progressão esteja na base da idéia de tempo e, no campo da natureza, na base de uma ordem temporal e causal.

São Tomás de Aquino, seguindo as idéias de Aristóteles, definiu o tempo como numerous movens (números em movimento). A mesma estrutura arquetípica está relacionada com as personificações míticas do tempo _como Aion em Roma, Zurvân na Pérsia e Kâla na Índia_ e são enfáticos comportamentos da polivalente energia psíquica. Para von Franz:

"O 'campo' do inconsciente coletivo, concebido como isomórfico aos campos dos números naturais, é, entretanto, não randrômico ou caoticamente/parcialmente organizado, mas mostra ser ordenado por um centro altamente energético, que Jung chamava de arquétipo do Si-mesmo. Quando representado estaticamente (como uma mandala), ele demonstra exibir estruturas quaternárias; entretanto, visto mais de perto, ele é muito semelhante com a explicação de Jung em seu livro Aion, uma estrutura seqüencial com as seguintes características:


"Por sua vez, ele é conectado com uma estrutura similar encontrada no I Ching, na geomancia, e também, último mas não menos importante, no código DNA e RNA. Essa estrutura que está presente nas mais profundas manifestações do Si-mesmo, representa um ritmo fundamental da vida, como intuído pelos chineses. Como uma dança rítmica, esta estrutura trinitária e quaternária estão contidas em quase todos os modelos feitos sobre o unus mundus e, em especial, nos modelos mandálicos de adivinhação".


Foi em seu livro "Time and Number" que Marie-Louise von Franz acabou relacionando a estrutura em dupla hélice do DNA (imagem acima) com o sistema numérico do I Ching, deduzindo que seu modelo representa uma analogia biológica da idéia arquetípica do tempo como uma espiral. Como comentado anteriormente, a tetrametria proposta por Jung acaba representando a estrutura básica da vida física e psíquica.

E também, como disse também Abdus Salam sobre o estudo do dr. S. Mason, entender a 'tendenciosidade' da natureza em produzir "aminoácidos esquerdos e açúcares destros" é de importância vital.

Portanto, voltando às considerações sobre o sonho do Relógio do Mundo, Jung comenta sobre o sentimento de "profunda harmonia" que se seguiu a esse sonho:

Não podemos compreender o porquê dessa impressão, a não ser que arrisquemos a seguinte hipótese: os elementos disparatados e incongruentes se combinaram de um modo feliz, produzindo simultaneamente uma configuração que concretiza em alto grau as intenções do inconsciente. Devemos supor portanto que a imagem é uma expressão particularmente bem sucedida da realidade psíquica que de outro modo seria irreconhecível e que até então só se manifestara através de aspectos aparentemente desconexos.

A idéia que aparece neste sonho é a intersecção de dois sistemas heterogêneos, unidos por um centro comum. Como este é um símbolo do Si-mesmo, essa configuração indica "que ocorre no Si-mesmo a intersecção de dois sistemas heterogêneos, funcionalmente relacionados entre si, regidos por leis e regulados por 'três ritmos'".

Essa idéia da intersecção dos tempos conscientes e inconscientes, será melhor tratada no capítulo seguinte, mas esta configuração cósmica do relógio leva a supor "que se trata de uma redução ou talvez da origem do espaço-tempo, mas de qualquer modo, de sua essência. Em termos matemáticos seu caráter seria quadridimensional e apenas visualizado numa projeção tridimensional".

Neste momento aconteceu a renovatio ou transmutatio, quando inconscientemente Pauli participou de um antigo mistério representado nos antigos mitos de transformação (a Alquimia entre eles) onde um ser perdido de si mesmo se transforma em quem ele de fato é, integrando sua totalidade em um corpo único conectado ao continuum quadridimensional.

http://www.psicoanalitica.com.br/unus_mundus.htm

  + Individuação

 

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