17 de jan de 2013

Posse Espiritual


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41 - Disse Jesus: Aquele que tem a mão cheia, a este lhe será dado; e aquele que não tem, dele será tirado até o pouco que tem.

Este texto de Tomé é uma paráfrase modificada das conhecidas palavras de Jesus na parábola dos talentos referida por outros Evangelistas. Nesta parábola somente o primeiro e o segundo servo, que haviam recebido 5 e 2 talentos respectivamente, atualizaram a sua potencialidade creadora, duplicando 5 em 10 e 2 em 4 talentos; ao passo que o terceiro servo, que recebera apenas um talento – que tinha pouco – enterrou este pouco e se entregou à inércia, e por não ter atualizado a sua pequena potencialidade, perdeu até esta, ficando sem nada.

 Mas se esse terceiro servo, em vez de cair na inatividade tivesse ativado o pouco que tinha numa mão, a pequena potencialidade que tinha, teria enchido também a outra mão, atualizando em dois o único talento que tinha.

Essas palavras são pois uma advertência e um convite alvissareiro para os poucos dotados no sentido de não considerarem zero o pouco que têm e não fazerem nada, mas para trabalharem honestamente com a exiguidade dos seus dotes e realizarem-se deste modo.

As leis cósmicas nunca repetem as suas doações mecanicamente; nunca distribuem por igual os seus dons, nunca repetem rotineiramente a distribuição dos seus bens. Sendo que o Uno do doador é de infinita intensidade qualitativa, assim o Verso do doado é também de Infinita extensidade quantitativa. Entre os homens pode o autor talentoso repetir as suas obras porque talento é sinônimo de limitado – mas o autor divino nunca repete nenhuma das suas obras, porque gênio é homônimo de ilimitado, infinito. O Creador não crea duas creaturas iguais; crea sempre creaturas desiguais, porque o Creador é o gênio de Infinita potência ao passo que qualquer creatura é apenas um talento de potencialidade finita.

Há quem veja injustiça nessa distribuição desigual que Deus faz às creaturas; certas sociedades espiritualistas fazem depender essa desigualdade das creaturas, de merecimentos ou desmerecimentos, de uma existência anterior; apelam para créditos ou débitos da creatura, porque não admitem desigualdade de distribuição por parte do Creador. Essa suposta justiça, porém, não existe. Deus não tem acima de si um supremo tribunal ao qual deva prestar contas de seus atos; se Deus dependesse de uma instância superior, deixaria de ser Deus. Nem tão pouco deve às creaturas essa suposta igualdade de distribuição, porque nenhuma creatura tem direitos perante o Creador, o qual, neste caso fictício, teria obrigações para com a creatura.

Deus não faz algo por ser justo, mas tudo que Deus faz é justo, porque Deus o faz. Deus não é justo, mas é a própria justiça, e tudo que a Infinita justiça faz é ipso facto justo. Tudo que o Uno dá ao Verso é graça, e não merecimento.


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