20 de jan de 2013

Crítica


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45 - Disse Jesus: não se colhem uvas de espinheiros nem se apanham figos de cardos, pois que eles não dão frutos. Um bom homem faz sair o bem de seu tesouro, um homem mau faz sair coisas más de seu tesouro mau, que está em seu coração, e fala coisas más. Pois da abundância do coração ele faz sair coisas más.

 Essas palavras são uma continuação do precedente. É uma paráfrase do antigo adágio filosófico agere sequitur esse, o agir segue ao Ser. O agir externo do homem manifesta o que ele é internamente. Atos e fatos externos não têm valor em si mesmos, mas são valorizados ou desvalorizados pela atitude interna do Ser.

O melhor exemplo disto é a matemática: nenhum “0” tem valor em si, mas pode ser valorizado pelo “1” colocado diante dele: 10. Aqui, a nulidade do “0” é desnulificada pelo valor positivo “1”, que simboliza o Real; o irreal é realizado pelo Real. O Real é a qualidade, que pode quantificar a irrealidade. O Todo pode fazer Algo do Nada.

O nosso Eu interno é o Espírito de Deus em forma individual; o nosso ego é um zero em si, porque é pura ilusão; mas quando o nosso ego se põe do lado direito do Eu, isto é, quando o nosso ego tem a consciência da Realidade do Eu, então é ele um canal que pode ser plenificado pelas águas vivas da Fonte do Eu.

Jesus exprime esta verdade do modo seguinte: “De mim mesmo (do meu ego) eu nada posso fazer; quem faz as obras é o Pai (Eu) que em mim está”.

Não se trata, todavia, de fazer apenas uma “boa intenção” prévia para que as coisas do ego sejam valorizadas pelo Eu, porque essa tal “boa intenção” seria outro zero do nosso ego, e zero não valoriza zero. A consciência do nosso Ser é uma permanente atitude da nossa substância total. Valorizar os atos do ego é agir de dentro da substância profunda e total de nosso Ser, manifestar o próprio Ser divino em forma de um Agir humano. Esse Ser divino é a consciência da Verdade “Eu e o Pai somos um”.

Não há dualidade no Ser; o Ser é de absoluta unidade. A essência do homem e de todas as creaturas é idêntica à essência do Creador; a diferença está apenas na existencialidade.

Assim como a luz vermelha, verde ou azul é essencialmente a luz incolor, do outro lado do prisma, mas em visão parcial, assim toda a creatura é essencialmente o Creador em visão existencial parcial e imperfeita.
A identidade única é da Essência.

As alteridades múltiplas são da Existência.

Este é o monismo essencial de todas as coisas, manifestado no pluralismo existencial. Quando o homem só enxerga o Universo pelos sentidos e pela mente, vê ele apenas as existencialidades, ou Verso pluralista, as facticidades, como faz o profano. Quando ele vê somente o Uno da Essência, então o homem procura ignorar o Verso das Existências, como faz o místico isolacionista. Mas, quando o homem vê o Universo em sua totalidade, o Uno no Verso e o Verso no Uno, então tem ele a visão da Realidade Integral, como o homem de consciência cósmica.

O homem cósmico ou univérsico contempla de relance, por uma intuição universitária, a essência e as existências do Universo; professa um Monismo Cósmico unitário-diversitário.

Esta visão cósmica não pode ser adquirida pelo homem ego, mas pode ser recebida pelo homem Eu, quando este se abre totalmente ao impacto e à invasão da Alma do Universo, que é a Divindade, a Divindade como Uno e Verso, como Causa e Efeito, como Invisível e Visível, como Infinito e Finito.
Em última análise, como se vê, tudo depende da maior ou menor abertura do homem em face do Universo Total.  




 

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