20 de nov de 2012

Conceitos


13 - Disse Jesus aos seus discípulos: fazei uma comparação e dizei-me com quem me pareço. Simão Pedro respondeu-lhe: és como um anjo justo. Mateus lhe disse: és como um sábio. Disse-lhe Tomé: Mestre, meus lábios são totalmente incapazes de dizer-te com quem te pareces. Jesus disse: não sou teu Mestre porque bebeste e te tornastes ébrio com a fonte borbulhante que te desvelei. 

 Pedro e Mateus falam da personalidade humana de Jesus de Nazaré, que um compara com um anjo justo, o outro com um homem sábio. Estes dois apóstolos vêem em Jesus um homem altamente evolvido, muito mais avançado do que outro ser humano aqui na terra; mas nenhum deles visualizou a entidade cósmica dentro da personalidade humana, exatamente como numerosos espiritualistas de nossos dias. Mas, segundo o Evangelho e segundo as próprias palavras de Jesus, o Cristo não é uma personalidade humana, e sim a primeira e mais alta emanação individual da Divindade Universal.

No texto acima citado, Tomé não ousa responder à pergunta de Jesus; prefere calar-se a falar, porque qualquer comparação que ele fizesse seria absurda; pois seria sempre uma comparação entre uma creatura humana e outra creatura humana. Mas, já nesse tempo Tomé vislumbrava algo para além da personalidade de Jesus de Nazaré; adivinhava o Cristo divino invisível para além do invólucro humano visível. E por isto se calou. E Jesus lhe fez ver que ele, o Jesus humano, não era Mestre de Tomé, desde que Tomé havia bebido e se inebriado da borbulhante Fonte da revelação que o Cristo lhe havia oferecido. Quem vislumbra a Realidade espiritual não pode falar, porque entrou na zona dos “ditos indizíveis”.


A ciência analítica, a erudição humana, fala – mas a sapiência intuitiva, a visão espiritual, se cala, porque sabe...


Um dia, como referem os Evangelhos, Tomé quis “ver para crer”; mais tarde, porém, como prova o texto acima, ele preferiu “crer para ver” – ou melhor: ter fé, fidelização, sintonia, para ver o Cristo divino no Jesus humano. E quem vê sabe, e quem sabe não fala – cala-se, porque vê e sabe. Os outros falam porque não sabem nem veem; Tomé prefere calar-se porque bebeu da taça da suprema sabedoria.


 

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