8 de jan. de 2013

Transmissão de Ensinamentos


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33 - Disse Jesus: aquilo que ouvirdes com um ouvido e com o outro, proclamai do alto de vossos telhados; pois que ninguém acende um candeeiro e põe-lhe em cima uma redoma; nem o coloca em um lugar escondido, mas prepara-lhe um pedestal para que todos que entrem e saiam possam ver a luz.

Quem mergulhou na Verdade libertadora dentro de si mesmo, sente o impulso irresistível de proclamá-la aos outros. Quem tem verdadeira experiêcia de Deus não pode deixar de proclamá-la por sua vivência, não tanto por palavras, nem mesmo com atos externos, mas com a sua própria atitude interna. O íntimo ser do homem atua mais poderosamente do que qualquer externo agir, dizer ou fazer. A irradiação externa da luz é diretamente proporcional à sua intensidade interna. “Fazei brilhar a vossa luz diante dos homens, para que eles vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai celeste” – não glorifiquem vosso ego humano, como querem os não iniciados, porque esse ego é apenas o canal, mas as águas vivas vêm da Fonte.

Há uma pseudo-modéstia que pretende ocultar a luz das boas obras, a fim de evitar vanglória. Quem está em perigo disto, faz bem em ocultar a sua luz; mas um homem realmente espiritual não corre perigo de envaidecimento. Se, segundo as palavras do Mestre, nós somos a luz do mundo, não há perigo de contaminação, porque a luz é a única coisa incontaminável.

 

7 de jan. de 2013

Missões


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32 - Disse Jesus: uma cidade que é construída no alto de uma montanha, sendo fortificada, não pode cair, porém não pode jamais ser escondida.

Além de ser inexpugnável uma cidade contruída no cume de um monte, ela é visível de todos os lados à grande distância.

O simbolizado espiritual desse símbolo material é o caráter do homem que atingiu o cume da sua natureza e lá edificou a sua fortaleza: Sobre o seu Eu divino, inexpugnável pelas hostes do seu ego humano ou de outras potências inferiores. As potências do inferno jamais prevalecerão contra esse homem.

Esse homem também não pode permanecer oculto por muito tempo. Ele é como uma luz no alto do candelabro que ilumina a todos que entram em sua casa, que dele se aproximam.

Esta notoriedade do homem espiritual nada tem que ver com vaidades de publicidade, que caracterizam o homem profano. As palavras tantas vezes repetidas por Jesus “nada é oculto que não seja manifestado” se referem ao íntimo caráter das leis cósmicas, que, cedo ou tarde, fazem conhecidas as coisas mais espirituais.

Em pleno século XX temos exemplo disto: quem viveu mais oculto do que Ramakrishna e Maharishi? E agora o mundo inteiro está inundado de livros sobre estes místicos anônimos.

Mahatma Gandhi e Albert Schweitzer fizeram o possível para desaparecerem no anonimato – e hoje são nomes de projeção internacional.

Os verdadeiros valores serão manifestados pela própria natureza da alma do Universo, invisível como átomo e visível como o cosmos.

Em nossos dias, grandes empreendimentos espirituais nasceram gloriosamente e morreram ingloriamente, porque seus protagonistas cometeram o erro anticósmico de porem à frente de suas obras a pessoa e vaidade do seu ego. É impossível subornar as leis cósmicas. Por mais bem camuflada que seja a tentativa de suborno ou de contrabando, a obra vai ser destruída quando baseada em motivos egoístas. As leis cósmicas, que são as leis de Deus, não colaboram com nenhuma espécie de egoísmo, ganância, ambição, vaidade, personalismo, etc. E, se Deus é contra nós, não adianta dinheiro nem prestígio político.

A fim de garantir a perpetuidade de um empreendimento espiritual deve o homem edificar a sua fortaleza no cume do monte sagrado do seu Eu divino, e não nas baixadas do seu ego humano.
Sankarachaya - Atman Ahatkam

Não sou ego nem razão, nem sou mente ou pensamento Não posso ser ouvido ou vertido em palavras, nem pelo odor ou visão jamais ser captado :

Sou a consciência e a felicidade encarnada, sou a Bem-aventurança do Bem-aventurado Não sou encontrado nem na luz, nem no vento, nem na terra, nem no céu

Não tenho nome, não tenho vida, não respiro o sopro vital, Nenhum elemento me conformou, nenhuma veste corpórea é minha morada:

Não tenho fala, nem mãos, nem pés, nem meios de evolução Sou a consciência e a felicidade, e a Bem-aventurança em extinção.

Deixo de lado ódio e paixão, vencí a ilusão e a cobiça; Nenhum toque de orgulho me acaricia; assim, a inveja nunca é criada; Além de todas as crenças, passada a influência da riqueza, da liberdade e do desejo, Sou a consciência e a felicidade, e a Bem-aventurança é o meu ornamento.

Virtude e vício, ou prazer e dor não são a minha herança, Nem textos sagrados, nem oferendas, nem oração, nem peregrinação; Não sou comida, nem alimentação, nem sou aquele que come Sou a consciência e a felicidade encarnadas, Sou a Bem-aventurança do Bem-aventurado

Não tenho medo da morte, nem me dividem abismos de raça, Nenhum Pai jamais me chamou de filho, nenhum vínculo de nascimento jamais me enlaçou; Não sou discípúlo nem mestre, não tenho parente nem amigo Sou a consciência e a felicidade, e imergir na Bem-aventurança é o meu fim.

Não sou nem cognoscível, nem conhecimento ou cognoscente; ser informe é a minha forma, Resido dentro dos sentidos, mas eles não são o meu lar : Para sempre serenamente equilibrado, não estou livre nem atado Sou a consciência e a felicidade, é na Bem-aventurança que sou encontrado !
 

4 de jan. de 2013

Preconceito


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31 - Disse Jesus: nenhum profeta é aceito em sua cidade, nenhum médico cura aqueles que o conhecem.

A primeira destas palavras é conhecida pelo Evangelho de Lucas, quando se refere à incredulidade dos nazarenos.

A segunda parte é peculiar ao Evangelho de Tomé.

Ambas estas sentenças de Jesus focalizam uma verdade fundamental da vida humana: o que é cotidiano não impressiona nem exerce impacto decisivo. O fator “mistério” é importantíssimo. Mistério é tudo aquilo que transcende a zona empírica dos sentidos e o mundo analítico do intelecto. A palavra grega mystés, de que derivamos mistério, místico, corresponde ao vocábulo latino sacrum, de que vem sacramento, sagrado. Ambas as palavras significam: oculto, secreto, e ignoto.

O que está ao alcance do ego não é misterioso, não é sagrado, e por isto não exerce nenhum impacto decisivo sobre o homem. O que pode curar os males do ego é somente o misterioso, o sacro, o carismático, o Eu cósmico.

Ego não cura ego.

"Pecador" não redime "pecador".

Horizontal não retifica horizontal.

Profano não sacraliza profano.

Onde não há mistério, sacralidade, nada de grande acontece.

Se Deus não fosse eterno mistério, não haveria religião sobre a face da terra. Se Deus fosse apenas imanente, e não transcendente, toda a religiosidade acabaria em camaradagem banal. Se Deus fosse apenas uma longínqua transcendência, poderíamos temê-lo, mas não amá-lo. Mas, quando Deus nos é assaz propínquo para ser amado, e assaz longínquo para ser temido, então nasce uma religiosidade tão fascinante que eclipsa tudo que se possa dizer e pensar.

Este mesmo fenômeno ocorre também nas relações humanas, sobretudo no plano do masculino e feminino: onde há somente distância sem proximidade, não há amor verdadeiro. Por outro lado, onde há excessiva proximidade sem a devida distância nas relações de homem e mulher, forma-se uma intimidade sem reverência, que não tardará a enfastiar um homem genuinamente masculino e uma mulher autenticamente feminina.

A natureza toda, desde o macrocosmo sideral e atômico, e até ao microcosmo hominal, obedece à lei da bipolaridade. Atração e repulsão, centripetismo e centrifuguismo – são os dois pólos sob os quais gira toda a harmonia cósmica, o Uno e o Verso que formam o Universo.

Ninguém é profeta em sua terra, por falta de distância, transcendência, mistério.

Um médico não pode curar os seus familiares e conhecidos, porque a parte material da medicina é apenas um excipiente ou veículo; o que realmente cura o doente é a fé no homo-natura, e não a confiança no homo-medicus. E esse elemento natura é algo eternamente misterioso. Até um simples copo dágua pode curar uma doença, desde que o doente tenha 100 por cento de fé nessa água. Sugestão não é ilusão – é uma subgestão, uma gestão de profundidade, uma atuação da alma do Universo. Em toda e qualquer terapia, o ingrediente fé é decisivo, porque é o impacto cósmico sobre a natureza humana. E esse ingrediente mistério é tanto maior quanto mais distante e ignoto for o seu veículo. Nunca nenhum médico nem remédio curaram o doente; o que cura é sempre a natureza, e a alma da natureza é infinitamente misteriosa – é a própria Divindade.

Só um profeta longínquo exerce impacto decisivo.

Só um médico ignoto erradica a raiz de uma doença.


2 de jan. de 2013

Ação Amorosa


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30 - Disse Jesus: onde há três deuses, há deuses; onde há dois ou um, estou com ele.

Deuses, na linguagem esotérica de Jesus, são manifestações individuais da Divindade Universal. Ele mesmo se chama “Deus”, e chama “deuses” os homens: “vós sois deuses”, isto é, emanações individuais da Divindade.

Há quase 2000 anos que os teólogos discutem se o Cristo era Deus; uns afirmam, outros negam – e não chegam a um acordo. Mas, pelo Evangelho, é evidente que ele se chamava Deus; nunca, porém, se identificou com a Divindade, que ele chama Pai: “Eu e o Pai somos um, o Pai está em mim e eu estou no Pai – mas o Pai é maior do que eu”. Logo, ele é Deus, mas não é a Divindade; ele é um Deus-creatura, não a Divindade-Creadora. Neste sentido escreve Paulo de Tarso: “O Cristo é o primogênito de todas as creaturas”.

Logo, o Cristo é creatura, mas não deixa de ser Deus. Há muitos deuses, há uma só Divindade.
Quando um ou dois homens se afastam da ruidosa sociedade e entram na silenciosa solidão, então percebem eles a presença do Cristo. Esse Cristo está conosco todos os dias até a consumação dos séculos; mas nem sempre o homem tem consciência da presença do Cristo. Para conscientizar o Cristo presente, deve o homem afastar-se temporariamente do ruído da sociedade e entrar no silêncio da solidão.

Esse silêncio, porém, não é apenas material, mas também mental e emocional.
Quando o ego se esvazia de todo e qualquer ruído material-mental-emocional, então entra ele no silêncio total, e então pode ser plenificado conscientemente pela plenitude do Cristo.
O ego-esvaziamento preludia a Cristo-plenificação.

Quando o silêncio e a solidão atingem o seu clímax, então desaparece toda a pluralidade e toda a dualidade, e impera a suprema unidade: Deus-Eu-Universo – tudo é um. Quando o homem se diviniza, ele se universifica. Todas as pluralidades e dualidades se afogam numa unidade cósmica.

+ Uma Dimensão Diferente

 


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