20 de fev de 2013

As Quatro Âncoras


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62 - Disse Jesus: eu conto meu segredo aos que forem dignos do meu segredo. O que tua mão direita fizer, não deixes que a esquerda saiba.

 Palavras como estas, em formas várias, vão através de todos os livros sacros da humanidade, do oriente e do ocidente. A Bhagavad Gita diz: “Quando o discípulo está pronto, então o Mestre aparece”.

A prontidão do discípulo não é a causa da vinda do Mestre, mas é a condição pré-disponente para seu aparecimento.

A lei de causa e efeito governa todo o mundo da física; mas na metafísica não funciona essa lei. No mundo espiritual as coisas acontecem livremente, embora não arbitrariamente. Também o mundo metafísico é regido pela lei, mas uma lei superior que a inteligência analítica do homem profano não pode compreender. O mundo superior é governado pela graça, e não pela causa. A causalidade escraviza, a graça liberta.

Através de séculos se tem discutido sobre o mistério da graça. O que acontece pela graça, ou de graça, não obedece à lei de causa e efeito. Nem um homem pode merecer (ou causar) a graça; se assim fosse, não seria graça.

Por outro lado, porém, os dons divinos não são dados arbitrariamente a qualquer homem, o que seria o domínio do caos. Gratuitamente, sim – arbitrariamente, não.

Quando o homem ultrapassa o limite estreito da análise intelectual e entra na vasta zona da intuição espiritual, então compreende ele o mistério da graça, equidistante de causalidade e arbitrariedade. 

Compreende esse mistério, mas não o pode analisar. A palavra grega analyein, de que fizemos “analisar”, quer dizer literalmente “dissolver”. Quem analisa, dissolve, destrói. Quem analisa uma rosa no laboratório, não tem mais uma rosa, porque a análise a dissolveu, destruiu. E, ainda que o cientista recomponha os seus componentes decompostos, o composto resultante não é a rosa; falta-lhe o principal, a alma ou vida, que o cientista analítico não pode analisar nem reconstruir.

Para inteligir a rosa basta analisá-la – mas, para compreendê-la, é necessário intuí-la sem a analisar. Análise se refere às partes, a intuição visa o Todo.

Para compreender os mistérios de Deus e do Cristo, é necessário intuir, em silenciosa auscultação. Pode a análise intelectual preceder, pode mesmo chegar à sua penúltima etapa, mas nunca chegará à última meta da verdadeira compreensão intuitiva.

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